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Nem tudo é sobre você

Vamos falar de ansiedade e empatia sobre a gestão de tempo da vida do outro?!

Quando alguém lê sua mensagem no whatsapp e não responde imediatamente não significa, necessariamente, que é pouco importante. Ele pode estar a caminho de uma reunião, respondendo um e-mail, não ter a informação que você precisa ou simplesmente estar precisando respirar e fazer vários nadas. A vida, meus amigos, precisa de boas doses de respiro. Essa será dura, mas, NEM TUDO É SOBRE VOCÊ.

Tem uma frase do SHIRKY que gosto muito. “Precisamos reaprender o significado de algumas palavras”. Urgente e importante são duas delas.

Definição?
urgente
1. que é necessário ser atendido ou feito com rapidez; que não pode ser retardado.
2. de que não se pode prescindir; indispensável.

importante
1. que tem caráter essencial e determinante; necessário, básico, fundamental.
2. aquilo que é essencial, que tem maior importância, que acarreta consequências se não o forem feitas

Há coisas urgentes.
Há coisas importantes.
Há coisas urgentes e importantes.

– Tirar o pão do forno quando ele está assado é URGENTE, mas não seria o final dos tempos se ele passar um cadinho do tempo.

– Chegar no horário marcado para uma reunião com a cliente é IMPORTANTE.

– Tirar uma criança do meio da rua para evitar que um carro a atropele é URGENTE e IMPORTANTE.

A possibilidade de estarmos conectados a todo instante e a suposta vigilância da vida do outro pela superexposição nas redes sociais nos passa a falsa impressão que sabemos todas as variáveis para julgar o comportamento do outro.

“Não respondeu, mas tem tempo de publicar no Twitter”. “Demora 4 dias para responder os e-mails, mas não perdeu a estreia do filme da Marvel”. “Não responde o chat, mas está debatendo no post de política”. Só pare de pensar/sentir/falar algo nessa linha. Olhe para sua caixa de e-mail, inbox e afins e veja se não há alguém esperando alguma resposta sua. Nem sempre é sobre se importar menos ou mais. Nem sempre é sobre preguiça ou displicência. Repito: nem sempre é sobre você.

As demandas de trabalho, estudo, família, saúde, filhos, sonhos, projetos, casa, terapia, paixões, esportes e [ coloque aqui um contexto ou agente de pressão ] são tantas que aprender a separar urgente de importante é condição de saudabilidade pra você e às pessoas com as quais convive.

Se sua unidade de carinho e respeito é condicionada pelo tempo decorrido entre uma mensagem e outra ou por quantas horas passa junto de alguém e não pela qualidade do tempo de convivência, talvez seja o momento de reaprender o significado de outras palavrinhas como confiança, ansiedade e empatia. Na próxima vez em que um amigo demorar dias para responder seu whats, ao invés de mandar vários ???????, experimente “posso te ajudar em algo? Se precisar, estou por aqui!”. Do outro lado deixará um coração “quentinho” ao invés de um culpado pensando “putz, não consegui responder ainda, de novo”.

Atenção: essa reflexão não vale pro boy/mina do Tinder. Ele/a não te quer mesmo :

Sobre saber voar: 8 anos do Twitter

Há exatamente oito anos fomos apresentados a um simpático “passarinho” – o ícone do Twitter. Desde então, essa rede social desempenha papel estruturante na forma como pensamos comunicação. Não que não existisse algo parecido. Contudo, por conta da proporção que alcançou, deixou evidente que não é preciso muitos caracteres para passar mensagens importantes.

Pessoas físicas, marcas e veículos da impressa aprenderam a se comunicar em 140 caracteres – mensagens breves e nem por isso isentas de estratégia. Exemplos não faltam. A troca de mensagens entre um passageiro do vôo 1549, Matt Kane, e o amigo que o esperava no aeroporto de Nova York virou notícia. Kane escreveu: “Aterrissei no Hudson”. Não precisou nem dos 140 caracteres para pautar a  manchete que estamparia a capa dos principais jornais norte-americanos e portais de notícias do mundo. Outro exemplo, agora no mundo das marcas, foi o tweet oportuno da Oreo durante a falta de energia no Super Bowl 2013. Mensagem criativa + timing perfeito = 20 mil retweets que acabaram alcançando audiência superior ao público que assistiu aos milionários comerciais do show do intervalo (o horário mais caro da TV nos EUA).

Nos últimos anos, o crescimento do Twitter é modesto em comparação com os 4 anos iniciais, um comportamento comum em se tratando de redes sociais. Orkut, MySpace e até o Facebook tiveram movimento semelhante. No mundo digital, com novos atrativos a cada dia (ou horas) a dispersão e o desinteresse não devem ser encarados como fracasso. O mérito do Twitter nesses 8 anos é que desde o princípio têm propósitos claros: ser uma plataforma com ótima usabilidade, sem demandar conexão “poderosa”, onde as pessoas postam mensagens breves para quem escolheu ser seguidor (e sem demandar reciprocidade). As regras do jogo são claras – ao contrário do FB que muda toda semana. Muitas marcas aprenderam cedo como explorar o Twitter e formaram uma comunidade consistente.

Os entusiastas do FB defendem que a rede simplesmente está se adaptando às necessidades do mercado e às mudanças do comportamento do consumidor. Concordo em partes. Pois saltam aos olhos muito mais mudanças pautadas em aumentar a rentabilidade da empresa do que adaptações que gerem benefícios aos usuários. O Twitter também buscar retorno financeiro, claro. Não tem almoço grátis. Mas as movimentações são mais coerentes com a proposta original da rede social. Quando você cria um perfil você faz um “contrato”. O “serviço” que recebemos do Twitter segue fiel ao que ele “vendeu” em 2006.

Antes de falar que determinada rede não tem serventia ou está agonizando, faça duas perguntas: Qual a proposta dessa rede social? Essa proposta faz sentido para a minha marca? Tive e tenho clientes em que a resposta da segunda pergunta foi não faz sentido ter Twitter para a Marca x e outras em que praticamente vi em caixa alta “A MARCA Y PRECISA DE UM PERFIL NO TWITTER”. Usando-o de maneira assertiva em termos de linguagem, pautas e no timing certo, os resultados são interessantes. A minha pesquisa de mestrado é sobre Second Screen e não consigo ver ambiente mais aprazível para o consumo simultâneo de TV e Internet. Não raro o Twitter se torna a tela principal e a televisão vira coadjuvante. Esse ano estive a frente de várias coberturas via redes sociais dos prêmios exibidos pela TNT. Globo de Ouro, SAGs, Grammy, Independent Spirit e o Oscar 2014. O Twitter nos possibilitou transcender a relação emissora de TV e público, colocando-nos numa deliciosa “mesa de bar” onde nós (TNT + público), compartilhando o interesse pelo mundo do cinema e da música, “proseamos” sem formalidades e meias palavras e, principalmente, no mesmo patamar de autoridade de comunicação.

Há quem prefira focar esforços de comunicação (e de mídia) em um ou outro canal. Dá trabalho (e custa verba) ter várias frentes. Compreensível focar no FB, por exemplo, especialmente para algumas marcas que precisam de audiência rápida e expressiva. Mas pregar a ineficiência do Twitter é leviano. Entenda o propósito de cada rede social e a use seguindo tais premissas. Ou deixa ela quietinha e vai “brincar” nas que mais fazem sentido para seu cliente/marca. O passarinho ainda sabe voar, e voa bonito!