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Oito pessoas

Ao longo dos anos centenas de pessoas participam de nossa vida. Cada uma tem sua importância e altera nosso caminhar de alguma forma. Não subestime mesmo a mais aleatória conversa, o mais despretensioso olhar. E em meio a esses agentes – coadjuvantes ou protagonistas – algumas acabam nos marcando de modo mais intenso porque são responsáveis por rupturas e aprendizados. Depois dessas pessoas – ou com elas – nos tornamos tão diferentes que é impossível não colocá-las em caixinhas especiais.

Nessas três décadas de tropeços e sorrisos,  tive a sorte de contar com oito dessas pessoas e associar cada uma delas com um verbo. As duas primeiras, claro, são meus pais. Perfeitos? Longe disso. Mas infinitamente mais especiais e melhores do que eu merecia. Com meu pai aprendi que devo TRABALHAR porque não importa o que acontece ao nosso redor e sim o que fazemos à respeito. Com a minha mãe ainda aprendo um bocado, mais sua grande lição é ZELAR com muito amor de todos que fazem parte de nossa vida.

Eis a vez de aprender a AMAR e não poderia ter professora melhor do que minha sobrinha Ana Beatriz. Antes de ouvir sua voz pela primeira vez ou de ver seu sorriso, era uma vidinha que eu amava e sabia que teria ligação para sempre. Nos termos da biologia, apenas minha sobrinha. Segundo minha irmã, minha afilhada. E para mim, meu solzinho particular que alegra meu coração com seu sorrisão e me faz esquecer que a vida nem sempre é simples.

O quarto verbo é se DIVERTIR. Foram “apenas” cinco meses ao seu lado, meu querido amigo JJ. Mas poucas pessoas eram tão intensas em todos os sentidos como você. Seus 27 anos valeram mais que a vida inteira de muitas pessoas. Convivemos poucas semanas e já foram o suficiente para não encarar o que acontece a minha volta da mesma forma. Os momentos passaram a ter o filtro JJ de qualidade.

O que faltava? COMPARTILHAR histórias – boas e más – pois só assim somos completos. E eis que esbarro em um estressado com o maior coração do mundo e com o poder de ler a minha mente, meu lindo e carinhoso amigo Eder Belo. Cumplicidade genuína, desinteressada e envolta numa irmandade por opção e não por determinação sanguínea.

Ainda faltam verbos nessa equação. Que tal sorrir? Em uma situação totalmente adversa e que seria marcada por lágrimas, meu segundo anjo, Fabiano, me ensinou a SORRIR com a alma. A sua resposta ao insucesso do tratamento de câncer era sorrir a cada segundo. Até hoje não faço ideia de onde vinha tanta energia e serenidade. E a nossa despedida foi um abraço caloroso e o sorriso mais verdadeiro e contagiante que recebi na vida. E por ter sido assim, tenho certeza que está por aqui, cada vez que eu sorrio exatamente como me ensinou, com a alma.

Ok, aprendi a trabalhar, zelar, amar, me divertir, compartilhar e sorrir, lições valiosas que me possibilitam caminhar. Tudo relativamente calmo e controlável. Até uma sétima pessoa entrar nessa história. Aquela que me encoraja e apoia a me PERMITIR. Permitir mudar de cidade para crescer; a me arriscar em sonhos, projetos e com pessoas. E, para minha sorte, há 3 anos está ao alcance das mãos (nossa amizade é minha “arma” secreta contra a solidão massacrante de São Paulo) dando colo quando a empreitada é desafortunada, comemorando comigo quando é exitosa e, principalmente, dando um bom safanão quando cogito fugir. De todos os verbos esse está sendo o mais difícil de materializar. Receio é meu companheiro constante, mas basta olhar para esses olhos verdes serenos e confiantes que o mundo se torna um lugar mais aprazível, seguro e aconchegante. E consigo, de novo, me permitir. Os tombos continuam ocorrendo, mas hoje tenho infinitamente mais histórias para contar e devo isso a você. E muitas aventuras ainda estão por vir. Há quem diga que nossa amizade é de outras vidas. Prefiro pensar que nossa amizade me deu outra vida, bem mais divertida e com motivos para me orgulhar. Valeu, Twitter (rs). Tão diferentes e tão cúmplices, somo assim André Sinkos. Somos felizes exatamente assim, meu irmão número “5s”.

O oitavo verbo é ACREDITAR, especialmente em mim mesma. Seu sucesso depende muito mais de você do que de terceiros. Quer ter sonhos? Tenha – não importa a grandiosidade dele, mas faça a sua parte para que virem realidade. Tinha aprendido um pouco sobre isso com meu pai, mas nos últimos meses, presenciei de perto o que é correr atrás de verdade de um sonho. Para de reclamar e faça! É assim né, JP?! Menos mimimi e mais trabalho. Obrigada por me mostrar que mesmo não sendo tão “simples assim” como eu gosto de falar, é no mínimo possível correr atrás, desde que se acredite no propósito da empreitada 🙂

Não gosto da conjugação na primeira pessoa do singular. Prefiro o “nós”. E quando penso nessas oito pessoas e em outras tantas que, mesmo não nominadas nesse texto, sabem o quanto sou grata, tenho ainda mais certeza que os linguistas não criaram conjugação mais perfeita que “nós” – podendo ser você e mais um ou mais muitos, tantos quanto seu coração comportar.

Essa história ainda não acabou. Faltam muitos verbos importantes para aprender. E meus “professores” estão a minha espera, ao atravessar a rua, ir no cinema, ministrar uma palestra, tomar um café no Starbucks. Não é o tempo ou a grandiosidade dos gestos de uma pessoa que a torna especial. E sim,  o quanto nosso coração está disposto a deixá-la fazer parte do nosso mundo. Que venham outros professores/verbos. E que o “nós” seja sempre crescente.

Ps.: texto dedicado especialmente ao meu irmão nº 5s que ontem completou mais um ano (e bem pertinho de mim). Obrigada. Love U. Aliás, obrigada a essas oito pessoas e todas que cruzam meu caminho. Sou a soma de vocês <3