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Sobre contar histórias

Jornalista por formação, planner por opção e contadora de histórias por decisão do coração. Sou assim. Brincar com fatos sempre fez parte da minha vida desde a infância. Lembro de episódios que se passaram quando tinha 5 anos (devidamente confirmados por testemunhas com mais idade :P).

O mundo só ganha sentido para mim quando consigo transformar o que se passa na frente dos meus olhos, nos relatos ouvidos de terceiros e nas minhas leituras em narrativas. Pode ser um texto (como esse que estão lendo), um desenho (coisa rara porque sou lamentável nesse quesito) ou um ppt. Lapido fatos em notícias; relacionamentos sociais em bem querer; histórias e dilemas de marcas em estratégias que dão origem a um planejamento.

Nos últimos anos, a maior parte das minhas histórias estão materializadas em ppts. Netshoes, Chivas, Itaú, Fundação Dom Cabral, Fundação Fenômenos, TNT, Warner e outras marcas que por dias ou semanas se tornaram minha “companhia”, meu assunto favorito. E a turma do Social Plus me convidou para falar sobre isso. Quem quiser conferir, vídeo completinho aqui 🙂

 

Mercado e academia: mistura boa como feijão e arroz, embora ambos insistam em ser caviar

Não raro vejo cara de poucos amigos na Universidade quando menciono que atuo no mercado – como se fosse algo “mundano e sujo”. Ausência de receptividade também acontece, por vezes, ao falar com pessoas “exclusivas de mercado”, que consideram academia quase como um “mal necessário”. Ouvi mais de uma vez declarações nessa linha: “Por que ‘perde’ tempo com mestrado, já não trabalha em agência?” ou “Está estudando só porque academia paga melhor do que agência?”.

A cada aula que ministro tenho mais certeza que a combinação não poderia ser mais perfeita. Sim, academia + mercado. Jenkins, Shirky, Bauman e McLuhan perpassam direta ou indiretamente cada estratégia que traço para os clientes que atendo nas agências. O tema da minha pesquisa de mestrado não poderia ser mais pertinente para meu atual desafio. Não preciso usar referências bibliográficas ou frases de impacto no ppt, mas os ensinamentos desses pesquisadores estão lá, atrás de cada ação, cada posicionamento. Idem na sala de aula. Não há como e menos ainda razão para dissociar um do outro. Vida de agência e/ou redação ensina muito e precisa ser levada aos alunos, afinal, nada como uma boa dose de vida real. Com as conexões adequadas, a experiência de mercado “materializa” os ensinamentos de mestres como Bauman.

Estar em sala e ver a cara de “estou entendo o que você está falando” ou aqueles alunos aglomerados no final da aula esperando para tirar dúvidas pontuais são respostas perfeitas para quem duvida que mercado e academia devem estar conectados. E, claro, a melhor recompensa para a vida maluca que é essa jornada dupla.

Segunda Tela, cópia do conteúdo da TV*

*ou a preguiça nossa de cada dia

 

“Olhamos o futuro pelo retrovisor”. Essa frase dita por Marshall McLuhan há décadas permanece atual.

Em um rápido passeio pela história da comunicação, esse comportamento se repetiu pelo menos em duas situações: a “chegada” da televisão no Brasil, em 1950 – fortemente ancorada no modelo e linguagem do rádio – e os primórdios do jornalismo online, quando os veículos faziam a transposição ipsis litteris do impresso.

No caso da segunda tela novamente estamos olhando pelo retrovisor. As emissoras, na ânsia de não ficar de fora desse “formato/recurso do momento”, cometem o mesmo erro espelhando o conteúdo de uma plataforma (no caso a TV) nesse ambiente “secundário”.

Assim como a falácia do jornalismo online como cópia do impresso não durou muito tempo – cerca de um ano entre o lançamento do Jornal do Brasil Online (idem ao impresso), em 1995, e o surgimento do UOL, em abril de 1996 – o mesmo está acontecendo com os aplicativos que prometem atuar como plataforma de segunda tela, enquanto, de fato, são agregadores de mensagens de redes sociais. A cada semana um novo app é lançado, mas não conquista adesões expressivas e cai em desuso.

Para o jornalismo online se configurar como uma nova modalidade, os veículos tiveram que se estruturar para produzir conteúdos proprietários ao meio digital. Quem o fez com agilidade ganhou espaço e dinheiro. Aplicativos como com_vc da Rede Globo de Televisão – supostamente a plataforma de segunda tela da Emissora, embora na prática seja um agregador de tweets sobre os programas e alertas de quando a atração iniciará – são indícios de que estar presente independente da forma continua sendo a preocupação.

O O CMAIS+, da TV Cultura, é mais animador. Trata-se de uma plataforma de acesso via computador, com conteúdo de alguns programas da Emissora e possibilidade de interação com os apresentadores e outros espectadores. Desde o seu lançamento há uma preocupação em oferecer conteúdo complementar ao consumido pela televisão.

Enquanto isso, o mercado internacional segue explorando as possibilidades de segunda tela em séries, programas de entrevistas e, principalmente, em transmissões de eventos como o Oscar. Embora ainda limitados, merece destaque que compartilham da preocupação de oferecer algo além da informação apresentada na “tela principal”. E, não raro, é complicado conceber o app do tablet como secundário por conta da qualidade e riqueza das informações disponibilizadas.

Mais que tecnologia, segunda tela pressupõe extensão narrativa e um mundo de possibilidades de significações, tendo o público como protagonista desses enredos, muitas vezes. Mas para isso, é preciso olhar e se preocupar além do device, além do ferramental. Mais que investimento ou tecnologia disponível, o limitador das inovações no cenário comunicativo segue sendo imagem > efetividade.