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A netinha “perdida*”

Entro no táxi e vejo uma simpática “vozinha” na direção.

Ela começa a contar a história da neta que há cinco anos fugiu de casa porque os pais não gostavam do namorado dela. Desde então, alguns telefones raros e breve (apenas para a vó).

Imaginei que a voz embargada e os olhos levemente marejados que observei pelo retrovisor eram pela emotividade implícita ao fato – especialmente pela saudade e quase ausência de notícia. Como estava enganada…

Quando chego ao meu destino e vou pagar, vejo que o taxímetro está parado há tempos. Fico sem saber como me portar e perguntou se houve algum problema com o equipamento porque mais ou menos sei quanto custa o trajeto (rotineiro nos últimos dias).

– “Não posso cobrar de você. Me lembra demais minha neta”.

Minha vez de engasgar e ficar completamente sem jeito. Insisti em pagar o valor que normalmente gasto ao percorrer esse caminho. E a vozinha me desmonta de vez:

– “Deixa eu pensar que levei minha menininha para passear como nos velhos tempos. Dá um sorriso que a corrida está paga e ainda fica com crédito” 

Adivinha quem saiu do táxi aos prantos? 

Por alguns instantes lamentei não ser a neta daquela senhora. Não pude evitar pensar em quanta dor cada um carrega por aí, mas precisa encobrir com um sorriso “amarelo”. Ela me recebeu com um delicioso sorriso e se despediu com os olhos vermelhos, segurando o choro. E o dia precisou seguir, para ambas. Mas com uma mistura de pesar, doçura e a sensação de que, mesmo não sendo a netinha “fugitiva”, recebi um carinhoso sorriso.

(*História verídica)