Christopher Wylie, ex Cambridge Analytica, no Web Summit 2018

“O Facebook sabia do bug e não fez o seu trabalho”, direto assim foi a fala de Christopher Wylie, ex Cambridge Analytica e o profissional que denunciou a utilização indevida de 87 milhões de contas de Facebook para beneficiar a eleição de Donald Trump. Ele foi uma das atrações mais aguardadas no segundo dia do evento Web Summit, em Lisboa.

Em consonância com a fala de abertura de Tim Berners-Lee, defendeu que a ideia inicial da Cambridge Analytica era usar dados para transformar positivamente a sociedade. Eis que entram em cena Steve Bannon e seu time da campanha de Trump que, segundo Christopher Wylie, queriam começar uma guerra cultural onde as armas eram a desinformação e os dados a munição. 

O Facebook, ainda segundo Wylie, sabia do bug que permitia o uso de dados das pessoas e não deu importância até a sua denúncia pública. 10 horas de sabatinas com Mark Zuckerberg (e muitas selfies com congressistas e senadores depois) nada aconteceu. “Quando se coloca toda a informação em sistemas de inteligência artificial se criam armas”, repetiu incontáveis vezes Wylie.

Sem economizar nas palavras, ele é categórico em como somos deslumbrados com a tecnologia, assim como os colonizados foram na chegada dos europeus, sem perceber o perigo. “Empresas tecnológicas – como o Facebook – não são deuses”, afirma Wylie.

Mas calma amigos, não é para desconectar todos os seus apps e viver na caverna. Não dá para “desver” a vida com a tecnologia. Basta regular! Sim, regular como qualquer atividade que envolve a segurança das pessoas (tráfego aéreo, medicina, construção civil etc.). “Se legislamos sobre energia nuclear, porque não regulamos os dados do ciberespaço? Estamos brincando com fogo e já saíram nações queimadas”, finaliza. 

Inteligência artificial é caminho sem volta. Ignorar a falta de ética no uso de dados, a manipulação e suas consequências é ineficaz, ingênuo e irresponsável!

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